Etarismo: ultrapassado é discriminar os profissionais mais velhos

Em “Um Senhor Estagiário” Robert De Niro interpreta Ben Whitaker, um aposentado que encontra sua chance de voltar à ativa no programa de estágio para seniores aberto por um e-commerce. 

Spoilers à parte, o filme é um “chega pra lá” no etarismo ao revelar de maneira sensível e bem-humorada que um profissional mais velho, aparentemente desconectado de um mercado de trabalho cada vez mais digital, ainda pode ter muito a oferecer e a ensinar aos mais jovens.

Sendo a arte uma imitação da vida, não só temos muitos Ben Whitakers por aí como também empresas que estão se dando conta da importância dos profissionais seniores para seus negócios. Mas a luta contra o etarismo está apenas começando.

 

Produtivos, mas subestimados

A diversidade geracional estava entrando na pauta dos veículos de comunicação especializados em Recursos Humanos quando o coronavírus chegou e, com ele, aumentou o etarismo, ou seja, a discriminação contra os profissionais 50+ no mercado de trabalho.

Empresas e órgãos estatais afastaram colaboradores com mais de 60 anos. Alguns, certamente os mais “qualificados”, puderam fazer home office, porém muitos outros perderam seus empregos, incluindo os informais.

A esses últimos restou sua força empreendedora, o que não é pouca coisa: dos 30,3 milhões de idosos brasileiros, mais de 2 milhões são empreendedores.

De modo geral, entretanto, o preconceito continua pairando sobre esse grupo de pessoas que já gerou – e ainda pode gerar – muita riqueza para nosso país.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia, em agosto de 2020 foram criadas 263,7 mil vagas com carteira assinada para quem tem abaixo de 60 anos, e eliminadas 14,3 mil vagas entre os mais velhos.

Com a crescente tendência de aumento da expectativa de vida, se as empresas não incluírem em seus projetos trabalhadores acima de 50 anos, em breve poderemos enfrentar uma nova crise de mão de obra.

 

Com o fim do etarismo ganham a sociedade, os profissionais e as empresas

A pressão social pela inclusão de pessoas mais velhas também vem crescendo. No Congresso Nacional já tramitam projetos de lei visando a incentivos fiscais para empresas que contratarem trabalhadores experientes.

Afinal, os idosos sustentam mais de 40% dos lares brasileiros e os 50+ são responsáveis por 20% de tudo o que é consumido no País, segundo o SEBRAE.

No mundo corporativo, algumas empresas mais antenadas já perceberam que o etarismo atrapalha a sustentabilidade do negócio a longo prazo.

Primeiro porque visão sistêmica, paciência para negociar, capacidade para lidar com conflitos e prazos, habilidades abundantes nos mais experientes, são de extrema importância para qualquer segmento.

E, segundo, porque a diversidade geracional entre os colaboradores ajuda, e muito, no diálogo com o mercado consumidor. Os clientes podem ser de diversas etnias, ter condições socioeconômicas e orientações sexuais diferentes, mas todos têm algo em comum: vão envelhecer. 

Portanto, quem melhor para entender esse processo do que os profissionais seniores?

Entre as empresas que vêm concentrando esforços contra o etarismo estão O Boticário, que procura e treina influencers digitais com 40+; e a Unilever e outras grandes, que estão criando programas de estágio para profissionais 50+.

Há ainda corporações do ramo de tecnologia, como a Oracle, que preferiram implantar programas de aprendizagem voltados à digitalização e inovação para aumentar a empregabilidade desse grupo de profissionais.

Mas antes de se aventurar em um programa de inclusão para os 50+ a empresa deve se preparar: estudar sua cultura, pesquisar o tipo de profissional que precisa e analisar muito bem seu mercado consumidor e o ambiente de negócios como um todo.

Além de, é claro, criar um clima interno confortável para os seniores.

 

O tempo passa, a experiência fica

Para quem tem 50+ e está à procura de uma recolocação profissional, ou mesmo deseja empreender ou mudar de ramo, segue um conselho: “não dê ouvidos à maldade alheia e creia”, como diria Roberto Carlos.

Os mais velhos podem, sim, ser inovadores, ágeis e criativos e ainda lançar mão de sua experiência.

Afinal, boa parte das startups ao redor do mundo é comandada por “jovens executivos de 45 anos”. E você sabe como é: de 45 anos para 60 é um pulo. Tudo passa rápido demais.

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